← Notícias

Treinamento de força reduz gordura ao redor do intestino sem alterar o peso em estudo com camundongos

Pesquisa da Unicamp encontrou células de gordura menores após sete sessões. O resultado ajuda a investigar respostas ao exercício, mas ainda não permite prever o mesmo efeito em humanos.

Por Yago CantuáriaNotícia · Pesquisa · Metabolismo4 min de leitura
Halteres e kettlebells organizados em suportes de uma academia.
Equipamentos de treinamento de força. Foto ilustrativa; não retrata o experimento, realizado com camundongos. Foto: RDNE Stock project/Pexels.

A balança não mudou, mas o tecido de gordura apresentou mudanças. Em um experimento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), camundongos machos com obesidade submetidos a sete sessões de treinamento de força tiveram menos gordura ao redor do intestino e células de gordura menores do que os animais com obesidade que permaneceram sedentários, segundo a divulgação da Agência FAPESP.

A pesquisa foi publicada on-line em 23 de junho na revista Life Sciences e integra a edição de 15 de setembro. A FAPESP divulgou os resultados em 21 de setembro. O trabalho investigou o que acontece no tecido adiposo logo no início do treinamento, antes de uma mudança no peso corporal.

Como o experimento foi feito

Os pesquisadores usaram uma dieta rica em gordura por 14 semanas para induzir obesidade nos animais. Depois, um grupo passou a treinar, enquanto outro permaneceu sedentário. Segundo a FAPESP, a dieta foi mantida durante o período de exercício.

O treino consistia em subir uma escada com carga presa à cauda. Foram sete sessões, com intensidade de 70% da capacidade de carga. A divulgação descreve 20 subidas por sessão e pausas de 60 a 90 segundos. É um modelo experimental de exercício resistido, não uma rotina a ser copiada por pessoas.

O que mudou nas células

O resumo científico descreve redução da massa do tecido adiposo mesentérico, localizado ao redor do intestino, e do tamanho dos adipócitos — as células que armazenam gordura. Também relata alterações em proteínas associadas à lipólise, o processo de quebra da gordura armazenada.

Entre elas está a ABHD5, que participa da ativação da enzima ATGL. Os resultados apontam mudanças nessa maquinaria celular após o treinamento. Isso ajuda a investigar como o exercício atua no tecido, mas não equivale a medir diretamente toda a gordura que o organismo utilizou como energia.

O estudo em um olhar

O experimento em um olhar

Resumo qualitativo do estudo e da divulgação da FAPESP. Não representa uma prescrição de treino.
AspectoO que foi observadoComo interpretar
ModeloCamundongos machos com obesidadePesquisa experimental em animais
TreinamentoSete sessões de exercício resistidoNão estabelece um prazo de resultado em pessoas
Peso corporalSem redução no período, segundo a divulgaçãoPeso total e composição dos tecidos são medidas diferentes
Gordura ao redor do intestinoMenor massa e células menoresResultado de um depósito específico de gordura

Não há valores suficientes nas fontes consultadas para construir um gráfico quantitativo confiável.

O que a balança não mostra

O peso corporal reúne diferentes componentes. Por isso, uma mudança em um tecido específico pode não aparecer como alteração do peso total. Neste experimento, a divulgação da FAPESP relata justamente essa diferença entre o resultado na balança e o observado no depósito de gordura analisado.

Para quem começa a treinar, essa é uma pergunta interessante: quais mudanças podem acontecer antes de serem visíveis? O estudo contribui para investigar a questão em animais. Ele não demonstra que toda pessoa cujo peso ficou estável perdeu gordura, nem permite estimar quanto alguém perderia com esse tipo de treino.

O que ainda não dá para concluir

O experimento foi realizado com camundongos machos e examinou um depósito específico de gordura durante um período curto. Portanto, não permite prometer redução de gordura abdominal em humanos após sete dias de musculação. Também não é uma comparação entre musculação e exercício aeróbio.

O resumo e a divulgação consultados não informam o tamanho total da amostra nem apresentam todos os dados necessários para estimar a magnitude da redução. Por isso, não atribuímos uma porcentagem de perda de gordura ao resultado. Células menores, isoladamente, também não provam que a inflamação desapareceu.

O achado central é mais delimitado: nesse modelo animal, o treinamento foi acompanhado de mudanças no tecido adiposo e na sinalização celular antes de uma redução no peso. Entender se essas respostas se repetem, quanto duram e como se aplicam a pessoas exige novas investigações.

Fontes para consultar


Voltar para notícias