Reaquecer durante o intervalo pode melhorar saltos e arrancadas, aponta revisão
Análise de 20 estudos encontrou melhora em saltos, arrancadas e agilidade, acompanhada de maior sensação de esforço.

O atleta aquece, começa a jogar e, no intervalo, fica um tempo parado. Na hora de voltar, vale fazer alguns exercícios para preparar o corpo de novo?
Uma revisão publicada em 18 de setembro de 2026 na PLOS ONE investigou essa questão. Os pesquisadores reuniram 20 estudos que compararam o reaquecimento durante as pausas com o descanso passivo.
Como a pesquisa foi feita
A equipe da Universidade de Esportes de Wuhan, na China, reuniu 20 estudos controlados, com 273 participantes segundo o total informado pelos autores. A busca cobriu seis bases de pesquisa até 7 de junho de 2025. Ou seja: a revisão é nova, mas os estudos reunidos são anteriores à publicação.
Havia adolescentes e adultos, principalmente jogadores de futebol e basquete. A tabela inclui também rúgbi, uma amostra de futebol/handebol e protocolos que simulavam as exigências de esportes coletivos. Parte dos testes aconteceu em situações simuladas, então os resultados não representam apenas partidas reais.
O que essa revisão acrescenta?
Além dos saltos e das arrancadas, a revisão reuniu resultados de agilidade, força e sensação de esforço. Ela também usou uma análise em três níveis: um jeito de levar em conta que vários resultados podem vir dos mesmos participantes, em vez de tratar cada teste como uma pesquisa independente.
O que melhorou?
O reaquecimento favoreceu o desempenho em corridas rápidas, agilidade e salto com contramovimento — aquele em que você flexiona as pernas antes de saltar.
Só que a melhora não apareceu em tudo. Para força máxima, capacidade de repetir arrancadas e salto partindo da posição agachada, não houve diferença estatisticamente significativa.
Quanto melhorou?
Na escala estatística usada pelos autores, os efeitos médios ficaram em torno de 0,81 para salto com contramovimento e corrida rápida, e 0,48 para agilidade, em magnitude. Pela convenção adotada no artigo, isso corresponde a efeitos grandes nos dois primeiros e pequeno na agilidade. Só que essa classificação não diz, sozinha, quanto a mudança importa numa partida.
Esses valores não são porcentagens, centímetros ou segundos. Eles colocam testes diferentes numa escala comum. Os intervalos de confiança mostram a incerteza: no salto, por exemplo, a estimativa vai de 0,29 a 1,34. Não dá para transformar isso em uma promessa de melhora igual para todo atleta.
O estudo em um olhar
- Salto com contramovimento
- Melhora identificada
- Corridas rápidas
- Melhora identificada
- Agilidade
- Melhora identificada
- Salto partindo da posição agachada
- Sem benefício estatisticamente significativo
- Arrancadas repetidas
- Sem benefício estatisticamente significativo
- Força máxima
- Sem benefício estatisticamente significativo
- Sensação de esforço
- Aumentou
Ausência de diferença estatisticamente significativa não prova ausência de efeito.
Entenda os números: tamanho do efeito e incerteza
O g de Hedges expressa a diferença numa escala padronizada. Não é uma porcentagem de melhora. O intervalo de confiança de 95% mostra a incerteza da estimativa; quando inclui zero, os dados são compatíveis também com ausência de diferença.
| Resultado | Efeito (g) | IC de 95% |
|---|---|---|
| Salto com contramovimento | 0,81 | 0,29 a 1,34 |
| Corridas rápidas | -0,81 | -1,23 a -0,40 |
| Agilidade | -0,48 | -0,82 a -0,15 |
| Salto partindo da posição agachada | 0,71 | -0,06 a 1,48 |
| Arrancadas repetidas | -0,35 | -0,75 a 0,06 |
| Força máxima | 0,20 | -0,84 a 1,25 |
| Sensação de esforço | 1,04 | 0,38 a 1,71 |
Nos saltos e na força, valores positivos favorecem o reaquecimento. Nas corridas e na agilidade, valores negativos favorecem o reaquecimento, pois um tempo menor é melhor. Na sensação de esforço, o valor positivo indica mais esforço percebido, não melhor desempenho. Mantivemos os sinais originais do artigo.
Não compare esses números como se fossem uma classificação dos exercícios. São capacidades e testes diferentes, com quantidades diferentes de dados.
Tem um detalhe nessa conta
Quem fez o reaquecimento também relatou maior sensação de esforço. Ou seja, a estratégia pode ajudar em algumas tarefas, mas exige cuidado com o acúmulo de fadiga.
Os autores recomendam ajustar os exercícios às características dos atletas, às exigências da atividade e ao calendário competitivo. Algumas comparações tinham poucos dados, então ainda é preciso cautela para dizer qual formato funciona melhor.
E vale separar as coisas: melhorar um teste de salto ou de corrida não garante jogar melhor a partida inteira. É esse o alcance dos resultados apresentados.
Até onde dá para confiar?
Todos os 20 estudos receberam a classificação “algumas preocupações” na avaliação de risco de viés. Muitos não detalharam procedimentos de ocultação da alocação ou de cegamento, embora esconder de alguém que está fazendo exercício seja difícil. Houve diferenças importantes entre os resultados dos estudos e sinais de possíveis efeitos de estudos pequenos em alguns desfechos.
A direção dos resultados de salto com contramovimento, corrida rápida, agilidade e esforço se manteve quando os pesquisadores retiraram um estudo por vez. Já o resultado do salto partindo da posição agachada foi sensível à retirada de alguns dados. Isso reforça o cuidado com conclusões definitivas.
O que isso significa na prática?
Há evidência favorável ao reaquecimento para algumas capacidades físicas, mas ainda não existe uma receita universal de duração e intensidade. Os próprios autores tratam as análises de subgrupos como exploratórias. A decisão precisa considerar a modalidade, o tempo disponível no intervalo e a resposta do atleta.
Fontes para consultar
- Zhang e colaboradores (2026) — resumo científico no PubMed ↗
- Texto integral — Zhang e colaboradores, PLOS ONE (2026), seções 2–4, tabela 2 e figura 2 ↗
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